sábado, 30 de dezembro de 2006

A FALSA "QUEBRADEIRA"

Aloysio Biondi

O secretário de Energia de São Paulo, David Zylberstajn, ficou escandalizado com os salários dos vigias da Eletropaulo: R$22 por hora... "Pode liberar o assalto que fica mais barato”, soltou Zyibertajn.

O texto acima deve ser colocado entre aspas, pois é a transcrição integral de notícia publicada na imprensa paulista, logo após a posse do governo Mário Covas, na sua fase de "revelações" sobre os motivos da "quebra" de São Paulo.
Ela permite reflexões úteis, neste momento em que a equipe FHC, com apreciável sucesso, tenta convencer que União, Estados e municípios estão "quebrados" por causa dos gastos com o funcionalismo.
Ou, ainda, no caso de empresas e bancos estatais, porque "são utilizados com fins político eleitorais" , chavão que (mais uma vez) leva a opinião pública a pensar em
excesso de funcionários etc.
Pontos a ponderar, dentro das limitações de espaço (que exigem também que os exemplos se restrinjam ao governo de São Paulo, embora se repitam nos demais Estados) .


1) Arrecadação - O ICMS arrecadado em São Paulo cresceu 10% em 1995. Não apenas graças "à fiscalização". O ICMS dos supermercados saltou 200%. Das lojas de departamentos, 100%. Por quê?
No governo Fleury, a arrecadação desses setores havia recuado até 98%. Isso é, empresas que pagavam normalmente R$1 milhão de ICMS por mês passaram a pagar R$20 mil.
Como?

Sonegação "autorizada" por brechas mantidas na lei, convenientemente. Da mesma forma que o governo Fleury perdoou (perdoou mesmo, "zerou") dívidas de ICMS do setor de bares, lanchonetes e restaurantes.
Pretexto: "interesse social", alegando-se que o setor é formado por microempresários, "donos de botecos". É. Só que depois se soube que o maior devedor era a bilionária rede McDonalds, com nada menos de US$30 milhões em ICMS devidamente perdoados.
E assim por diante: há sonegação "legalizada” no país.

2) Privatização - O movimento de cargas no trecho ferroviário São Paulo a Santos, da Fepasa, era o maior do país. Recentemente, o secretário de Transportes do governo Covas revelou que ele está praticamente parado, com 90% de ociosidade.
Mistério? Não. As empresas "preferem" transportar as cargas por caminhão. Motivo, segundo o próprio secretário: sonegação. Nas rodovias, a mesma nota fiscal é usada para várias viagens (com cargas diferentes, que, assim, não pagam o ICMS).

Sonegação consentida, portanto, pois bastaria o governo do Estado exigir que a nota fiscal ficasse retida em um posto de fiscalização da rodovia, e a fraude não existiria.
Prejuízos para o Tesouro. E prejuízos para a Fepasa. Que, ironicamente, agora vai ser privatizada" por "ineficiência"...



3) Terceirização - voltando ao exemplo da Eletropaulo, a estatal pagava R$ 22 por hora, ou R$176 por dia, ou R$2.872 por mês em 22 dias úteis, pelo trabalho dos seguranças. Marajás? Não. Eles não eram funcionários da empresa, mas sim trabalhadores "alugados" por empresas contratadas para a execução dos serviços de vigilância, dentro da chamada "política de terceirização" que os mentirosos dizem que "barateia" os custos do Estado...
Quem recebia R$2.872 por vigia, por mês, portanto, eram essas empresas, que pagavam salários ridículos aos trabalhadores e embolsavam a diferença. O mesmo acontecia no Banespa, com o famoso Baneser, e outras estatais. Empresas lucrando bilhões. Eficiência...

São falsas as explicações correntes para a "quebra" dos Estados, União, bancos e empresas estatais. Neste momento de opções, induzidas pelo governo FHC, é preciso dar nome aos bois.

O problema brasileiro é o "tratamento" que governantes dão a determinados grupos empresariais (em prejuízo, inclusive, de milhões de empresários não-privilegiados).
Rombos na hora de arrecadar e na hora de gastar. União, Estados e municípios são facilmente recuperáveis. Se isso mudar. E só mudará se o contribuinte começar a protestar.


PS: A inflação de janeiro, medida pelo IGP-M, saltou para 0,9% nos primeiros dez dias da apuração do índice, com alta de 2,4% para alimentos no atacado. O governo, como esta coluna já procurou alertar, está subestimando os problemas que a quebra de safras vai trazer.


ALOYSIO BIONDI, 59, é jornalista econômico. Foi articulista e editor de Economia da Folha e diretor de Redação da revista "Visão".


(PUBLICADO NO JORNAL “FOLHA DE S. PAULO”, EM 14/01/1996, P.2-6)
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Brasil e Bolívia estão mais perto de um acordo sobre o gás

O governo brasileiro descartou a possibilidade de recorrer a uma arbitragem internacional para fixar novos preços de exportação do gás natural boliviano pelo qual paga atualmente 4 dólares por cada millão de BTU, e também aceitou renegociar o preço de venda do produto à cidade de Cuiabá pelo qual paga 1.09 dólares por milhão de BTU.
A partir da segunda quinzena de janeiro de 2007, os ministérios de Hidrocarburetos da Bolívia e de Minas e Energia do Brasil reiniciarão as negociações para a compra de ações das refinarías Gualberto Villarroel (Cochabamba) y Guillermo Elder (Santa Cruz), como parte do decreto de nacionalização dos hidrocarburetos que estabelece que a estatal boliviana de petróleo YPFB fique com 50% mais um ações.
As informações são do ministro de Hidrocarburetos boliviano, Carlos Villegas, um dos seis ministros que viajaram a Brasília para negociar com autoridades brasileiras a problemática do gás. Segundo Villegas disse à ABI - Agência Boliviana de Informação - o ministro brasileiro de Minas e Energía, Silas Rondeau, confirmou a decisão do governo brasileiro de não recorrer a nenhuma arbitragem internacional, além de ter-se comprometido a agilizar as negociacões para chegar a ujm acordo sobre preços o mais rapidamente.

Atualmente, a Bolívia exporta para o Brasil, como resultado de um contrato assinado por 20 anos em 1999, uma média de 27.7 millones de metros cúbicos diários de gás a 4 dólares por cada milhão de BTU (unidade térmica britânica, que mede o poder calorífico do gás) e negocia um aumento nesse preço para pelo menos 5 dólares o milão de BTU.

Fontes: Agência Rio/Portal Crea-RJ
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Reflexões e críticas de Aloysio Biondi sobre o comportamento da mídia

A seguir, uma transcrição de reflexões e críticas de Aloysio Biondi sobre o comportamento da mídia:

"A imprensa dá um tratamento absolutamente fragmentado na área da economia. Dá um fato e abandona, dá um fato e abandona. No fundo, o que está por trás é uma concepção do jornalismo: só vale o que foge da ‘normalidade’."

"Escrevi um artigo, em 1991, procurando tratar disso, lidando com exemplos fora da economia. Citei o caso dos incêndios dos poços de petróleo do Kuwait, quando falaram que demorariam anos para serem extintos. Eram 900 poços e os incêndios demorariam três, quatro, anos para serem apagados. Dali a três dias 200 poços incendiados já estavam sob controle. Eu era editor-geral e enchia o saco do editor de internacional. Faltava também informação: já se dispunha de materiais modernos para apagar incêndios."

"Durante a crise de petróleo em 1979, falou-se exaustivamente no esgotamento das reservas. Esqueceram-se do desenvolvimento de novas técnicas de exploração (fotografias de satélite, novos métodos de perfuração, novo material – ligas de aço – para as sondas etc.). Quer dizer, se você não acompanha perde totalmente a noção do que está de fato ocorrendo."

"A queda da Bolsa de Nova York em 1989. Tinha subido 40% em pouco tempo e, lógico, deveria cair."

"No caso dos ‘Tigres Asiáticos’, se você não acompanha perde a visão adequada. Ao longo do tempo a situação deles começou a se deteriorar. Nas minhas matérias eu indicava: não vamos embarcar nessa desse jeito. Quanto a Thatcher, nós demos a queda dela um mês antes por acompanharmos a economia. E estas informações não chegavam aqui."

"Um caso nosso, o da Previdência. O ministro Marcílio Marques Moreira informava sobre o saldo de caixa e o superávit do Tesouro. A cada informação variava o número. O superávit era muito maior porque a previsão de gastos estava superestimada no orçamento. A arrecadação, por exemplo, de Finsocial e Pis estavam em queda brutal. Mas o Imposto de Renda não, havia crescido 100% em relação a 1991. Como é que o leitor vai saber disto se o jornalista não ficar atento?"

"No tempo do Maílson, os melhores jornalistas saíam dizendo sobre o ‘excesso de gastos com pessoal’. O Maílson fez a cabeça de muita gente. Fez acreditar que 80%, 90% do orçamento era consumido nas despesas com funcionalismo, que o Estado não tinha jeito. Ele fez muito a cabeça da sociedade, até com um certo cansaço mostrando que o ‘Estado estava falido’. E todo o mês, o secretário do Tesouro, Luís Antônio Gonçalves dava entrevista e distribuía tabelas. Estava lá: gasto com funcionalismo, e era só você calcular o percentual. Naquele momento os gastos não passavam de 40%. No DCI a gente dava manchete: ‘Novo superávit do Tesouro/Gastos com funcionalismo não passam de 40%’."

Sobre imprensa e jornalismo
"A imprensa, ao fazer oposição, esquece de duvidar das notícias ruins. Sempre duvidava, mas só do que é bom. Com isso o jornalista acaba servindo como inocente útil."

"Acho que o jornalismo econômico está muito repetitivo. As pessoas nem checam. Hoje o pretenso pensamento econômico está repleto de chavões, de uma pretensa visão do momento brasileiro e as coisas se repetem. A sensação que você tem, lendo os artigos na diagonal, é que as matérias se baseiam em generalidades e são muito repetitivas. É raro você sair de um artigo achando que ele provocou alguma reflexão e mudou seu ponto de vista."

"Não adianta entrevistar fonte errada. Por exemplo, ouvir economistas que só olham para o mercado financeiro (consultores e analistas), ou agricultores que só choram."

"Um dos problemas do jornalismo de negócios no Brasil é que não tem nada a ver com a economia brasileira. Exame faz apologia de empresários e não aborda o que seria, de fato, uma ‘história de negócios’. É muito personalista."

"O jornalista tem a ilusão de fazer oposição só porque fica dizendo que a inflação está alta, ou que o déficit público aumentou, etc. E não percebem quem se beneficia desse processo."

Jornalismo de negócios e privatização
"No chamado jornalismo de negócios, a privatização teve um grande avanço. Havia nessa expansão esse ideal privatizante, do espírito empreendedor. Lembro que a justificativa para se falar mais da empresa era a de que seria uma reação contra a ditadura, uma reação ao fato do Estado ser a grande fonte e o lado do empresário estar sendo deixado de lado. Como sempre, você cai no extremo. Algumas justificativas de pauta, do tipo – valorizar o agente econômico - é mais importante saber o que o ‘seo Zé do Botequim’ está fazendo do que o Ministro da Fazenda pensa acabam caindo no outro extremo. O ideal é o equilíbrio: ter a vida empresarial e a análise de política econômica."

Vícios e problemas no jornalismo econômico
"Ficou mais rara a preocupação, a dúvida com a versão dos dois lados, com a pesquisa, com a memória. Causas? Não sei. Acho que a ditadura – em relação aos formadores de opinião em geral - era um agente provocador, que mobilizava contra. Numa conversa com Cristovam Buarque. em Brasília, há uns dois anos, ele afirmava que as pessoas tinham perdido certos interesses coletivos e assumido posturas mais individualistas. Ele lamentava a perda da militância tradicional. Não é nada de querer ‘guerreiros’, mas parece que está em desuso a própria necessidade de tentar mudanças."

Fontes e consultorias
"Em geral, as empresas de consultoria foram formadas por ex-ministros e economistas. Eles continuam sendo ouvidos individualmente. É preciso usar as consultorias de forma correta. Não se deve dar muita importância a eles, e sim selecionar o tipo de informações que geram. Pesquisas por exemplo. É preciso acompanhar, para ver se a tendência aumentou ou diminuiu."

Jornalismo engajado
"Você não ajuda as pessoas com o discurso conservador do Roberto Campos nem com o discurso maniqueísta do Menegueli, que é insuportável. Quando ele criticou a adoção do reajuste semestral, dizendo que era para esvaziar o movimento sindical, eu escrevi na época falando que se o movimento sindical precisa de derrota para sobreviver, que avanço histórico este movimento sindical está fazendo?"

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As novas traições ao Brasil

Aloysio Biondi

O país está sendo enganado pelo noticiário da imprensa que, periodicamente,diz que há um racha no governo Fernando Henrique Cardoso, com uma ala nacionalista e desenvolvimentista de um lado, e de outro a ala entreguista, subordinada à política recessiva do FMI. É tudo encenação maquiavélica, para iludir a opinião pública e continuar com a política de arrasa-Brasil. Exemplos recentes e gritantes dessa farsa envolveram o presidente do BNDES, Andrea Calabi, numa operação sobre a Light e a Eletropaulo, o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, com novos prêmios para quem importar e destruir a indústria nacional, e o genro do presidente da República, David Zylberzstajn, que muito lucrou com o vazamento de óleo da Petrobrás, na baía de Guanabara.

Viva a Light! Morte à Petrobrás!
O noticiário enganador diz que os próprios partidos governistas passaram a criticar as distorções no processo de venda das empresas estatais pelo governo FHC. Dois pontos, principalmente, deveriam ser mudados a partir de agora. Primeiro, haveria venda de ações a milhões de brasileiros, e não "doação" a grupos privilegiados, sobretudo multinacionais, isto é, seria adotado o modelo de pulverização das ações, exatamente como foi feito até na Inglaterra de Margaret Thatcher. Além disso, o governo, através do BNDES, deixaria de financiar os grupos estrangeiros desejosos de aumentar seu controle sobre empresas estatais, por um motivo altamente preocupante: quanto maior a fatia de capital que as multinacionais passam a possuir, maior a remessa de lucros e dividendos para as matrizes, isto é, maior a remessa de dólares, levando o Brasil a um beco sem saída, a médio prazo.
Essas mudanças foram indiretamente confirmadas pelo presidente do BNDES, Andrea Calabi, em entrevista à Folha de S. Paulo, na qual ele anunciava prioridade para os empréstimos a empresas nacionais. Era apenas um lance do tal jogo de enganar trouxa. Como assim? Pouca gente se lembra ou sabe, mas, como foi demonstrado no livrinho O Brasil Privatizado, de nossa autoria, a "venda" da Light, há uns dois anos, foi fictícia. Como assim? A estatal francesa EDF e dois grupos norte-americanos compraram apenas 11,4 por cento das ações cada um, isto é, 34,2 por cento do capital. O governo brasileiro continuou com quase 39 por cento, mas, apesar disso, o grupo multinacional virou "dono" da Light, que, depois, comprou a Eletropaulo Metropolitana, do governo paulista, nas condições parecidas... Agora, a nova traição. No final de janeiro, depois da entrevista nacionalista do senhor Calabi, o governo vendeu novos lotes dessas ações da Light e da Eletropaulo. Pulverizou a venda, para milhões de brasileiros? Não. Vendeu mais 20 por cento das ações da Light à estatal francesa EDF, que passou a ter uma fatia de 3l,64 por cento do capital. E vendeu" mais 35 por cento das ações da Eletropaulo ao grupo norte-americanao AES, sócio da EDF francesa na Light. Como explicar essas vendas? O governo precisa de dinheiro, precisava fazer caixa? Nem isso é verdade. No caso da Eletropaulo, as ações foram vendidas por l,9 bilhão de reais - mas com entrada de somente 20 por cento, isto é, de 380 milhões... O restante vai ser pago em três anos. Como explicar a falsa venda? É bom lembrar uma aberração gravíssima provocada pela operação. O grupo norte-americano, embora só vá pagar a compra a longo prazo, passa a ser o dono, desde agora, dos lucros de milhões de reais produzidos pela Eletropaulo. Isto é, vai lucrar e remeter dólares sem ter aplicado dinheiro na empresa, já que é tudo financiado pelo BNDES... O que diz o Congresso dessa nova traição?
Alguns ministros do governo FHC começaram a admitir, desde o ano passado, que o "escancaramento" do mercado às importações precisa ser revisto em alguns casos, pois está destruindo a indústria nacional e alargando o desemprego. O próprio presidente da República admitiu que a "abertura" foi excessiva. No começo do ano, porém, o governo divulgou uma lista de mais quinhentos produtos que podem ser importados com impostos reduzidos ou mesmo sem pagar nenhum imposto. Basicamente, máquinas e equipamentos que as multinacionais que estão entrando nos setores de energia elétrica, usinas termelétricas, telefonia desejam comprar... de suas matrizes e seus países, remetendo dólares para fora. O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, reconhece que essas importações vão aumentar o rombo em dólares, mas, diz ele, "depois" esses equipamentos produzirão bens que serão exportados, e tudo se reequilibrará. É mesmo? O Brasil vai exportar vapor, energia elétrica, conversas telefônicas? Repete-se o desastre? No começo do governo FHC, os ministros Kandir e Malan também diziam a mesma coisa, que as importações trariam vantagens a longo prazo. Deu no que deu. E a Petrobrás? O presidente da Agência Nacional de Petróleo, David Zylbersztajn, já anunciou o "esquartejamento da empresa", quer que ela venda refinarias, oleodutos, gasodutos. Uma de suas alegações, ridículas, para justificar o desmonte? A Petrobrás é grande demais, é preciso estimular a concorrência. Ora, o mercado está aberto, até para as multinacionais. Elas que realizem investimentos, construam usinas, oleodutos, gasodutos – como acontece em outros países. Por que doar mais uma vez o patrimônio da Petrobrás? O assalto contra a Petrobrás certamente produziria reações em alas nacionalistas - inclusive militares. Por isso, foi muito oportuno o vazamento de óleo na baía de Guanabara, onde o atraso para tomar providências, por parte da alta direção da Petrobrás, ligada a Zylberzstajn, criou condições para que o desastre tomasse proporções gigantescas, ganhasse manchetes dias a fio - e desmoralizasse a Petrobrás, com reações tipo "é melhor que vendam, mesmo". Vale uma investigação pelo Ministério Público. Um mistério tipo Riocentro...
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Mais Aloysio Biondi


Depois do petróleo, o dilúvio
Aloysio Biondi
Em meados de agosto, quando o Real já havia começado a despencar outra vez, um grande banco internacional, o ING Barings, divulgou relatório aconselhando seus clientes investidores a vender os títulos do governo e empresas brasileiras. Motivo: o risco de "calote", já que a dívida do Tesouro passa dos 400 bilhões de reais e, como os juros aqui dentro estão (estavam) na casa dos 22 por cento, isso significa uma carga de juros de uns 90 a 100 bilhões de reais por ano. Ou, arredondando, uns 10 bilhões de reais por mês. Impossível pagar. Tudo o que o governo faz é emitir "papagaios" novos, isto é, apenas aumenta a dívida. Explosivamente.
A iniciativa "agressiva" do Barings - escondida pela imprensa pátria, como sempre - apenas tornou publica a desconfiança que os banqueiros internacionais continuaram a alimentar em relação ao Brasil. Desmentindo totalmente a famosa "reconquista da credibilidade internacional" alardeada pelo governo e seus porta-vozes, no primeiro semestre do ano os bancos internacionais emprestaram apenas 3,5 bilhões de dólares a empresas brasileiras (isto e, às nacionais e também às multinacionais). Ou, atenção, cinco vezes menos os 17,5 bilhões de dólares concedidos em igual período de 1998. Esses dados e fatos ressuscitam a pergunta: por que o FMI e Clinton insistem em ser tolerantes com o Brasil, mantendo políticas de apoio ao pais, mesmo quando é evidente que a situação econômica continua em franca deterioração e sem possibilidade de reversão (ninguém consegue pagar juros de 10 bilhões de reais por mês)?
A única resposta possível continua a mesma, a saber: FMI e EUA estão apenas esticando a corda do governo FHC, tentando adiar o ponto de ruptura que fortaleceria a oposição, com um objetivo - conseguir que, antes do dilúvio, novas privatizações sejam feitas.
Ou, mais precisamente, que haja novas desnacionalizações nos setores de exploração do petróleo e geração de energia elétrica ( atenção, repetindo: o governo dos EUA não vendeu suas empresas de energia elétrica, ao contrário do que se pensa ). Para quem torce o nariz a essa hipótese, classificando-a de demasiado fantasiosa: o governo FHC, como quem não quer nada, já anunciou uma nova rodada de leilões para "vender" as áreas do território nacional em que a Petrobrás descobriu jazidas fabulosas - e inclui também os campos de petróleo submarinos, o que não estava previsto. Vergonha vergonhosa.
O brasileiro tem vergonha de parecer ufanista, na base do por-que-me-orgulho-do-meu-país. Talvez por isso o brasileiro não tenha colocado na cabeça até hoje que o Brasil possui realmente os campos de petróleo mais fantásticos do mundo. Parece vergonhoso pela Petrobrás em fase de exploração e que tem poços capazes de produzir 10.000 barris por dia. Cada poço. É um número fantástico, sim, é um recorde mundial, sim, e que somente encontra concorrentes, com poços capazes de produzir 7.000, 8.000 barris por dia, no Irã, Kuwait, Iraque... O que significam 10.000 barris por dia? A 20 dólares o barril, isso significa o faturamento de 200.000 dólares, em um único poço. Em um dia. Ou 6 milhões de dólares por mês. Ou 70 milhões de dólares no ano. Por poço. Uma das jazidas da Petrobrás na bacia de Campos, Estado do Rio, tem 25 poços faturados em cada poço, eles rendem 1,75 bilhão ( bilhão, com a letra "b" ) por ano. Ou, para arredondar, 2 bilhões de dólares por ano. Ou, ainda, o equivalente a 4 bilhões de reais por ano. Respire fundo, agora: são esses campos de petróleo absolutamente fantásticos, os mais produtivos do mundo, que o governo FHC já começou a doar às multinacionais, com a ajuda da imprensa. No primeiro leilão, realizado há poucas semanas, o presidente da David Zylbersteyn, teve a bárbara coragem ( ou outro nome qualquer) de pedir um "preço simbólico" de 50.000 a 150.000 (é "mil"com a letra "m", mesmo ) reais às "compradoras" dessas áreas. O governo usou uma desculpa para tentar justificar esses preços sórdidos: o mercado mundial estaria em baixa, com super oferta de petróleo. Acontece que desde janeiro os preços do petróleo duplicaram - d-u-p-l-i-c-a-r-a-m de 10 para 20 dólares o barril. Ao longo de meses essa informação foi ignorada pela grande imprensa (faca você mesmo um teste, com seus amigos e família: verifique quantos ficaram sabendo dessa duplicação).
A verdade foi escondida para que a sociedade não discutisse os preços pedidos pelo governo - ou o que seria mais importante ainda, discutisse a própria política de privatização do petróleo nacional. Mais claramente: se as jazidas são as mais fantásticas do mundo, se os lucros que elas vão proporcionar são fabulosos, por que o governo FHC ano vende ações da Petrobrás a milhões de brasileiros, juntando-se dinheiro para acelerar as explorações e gerar empregos ? Os EUA e o FMI não deixam?
Ah, sim: no primeiro leilão, algumas jazidas foram compradas por 150 milhões, isto é, mil vezes o preço de 50.000 pedido pelo governo. A imprensa apresentou esse resultado como algo fantástico. Não é. Continua a ser ninharia. Esmola para povo índio. Basta ver que esses campos petrolíferos podem faturar 2 bilhões de dólares, ou 4 bilhões de reais, por ano. Em um ano. Contra 150 milhões de reais. Uma única vez. As oposições precisam mobilizar a sociedade brasileira contra o novo assalto ao petróleo nacional programado pelo governo FHC, Clinton, FMI. Os números, escandalosamente anunciadores, estão aí.
PS: O presidente FHC diz que a economia está estável, o IBGE diz que o PIB está estável... A indústria paulista já havia recuado 7 por cento no 1º semestre, e desabou 15 por cento em julho na comparação com 1998. Setores com maior queda? Telecomunicações e equipamentos para energia elétrica. Isto é, as multinacionais "compradoras" das antigas estatais continuam a importar tudo. Desempregam, aqui dentro. E continuam a torrar dólares, afundando ainda mais o Brasil. A desnacionalização levou o Brasil de volta ao passado. Voltou a ser uma republiqueta dependente. Ou colônia?

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Um dos patronos de nosso blog: Aloysio Biondi

Uma das pessoas que me inspiraram a fazer este blog, foi o grande jornalista Aloysio Biondi. Não que a gente - o blog - tenha tanta importância, afinal ninguém nos lê. Mas, como gostaria de ajudar a popularizar sua obra, vou tomar a liberdade de publicar alguns de seus artigos , que fui conseguindo aqui e acolá. Alguns têm data, outros não.

Vamos iniciar essa campanha?
por Aloysio Biondi

A Morte da Alma Nacional
Reverencialmente, peço licença ao mestre Celso Furtado para repeti-lo: “Nunca estivemos tão longe do país com que sonhamos um dia”.
Uma pequena frase. Capaz, porém, de detonar um turbilhão de lembranças, das emoções e expectativas dos dias em que o Brasil era um país e tinha sonhos. Um povo que sonhava virar povo. Estudantes, intelectuais, empresários, trabalhadores, agricultores, classe média envolvidos no debate pelo desenvolvimento, conscientes, todos, de que havia um preço a pagar, resistências a enfrentar. Inimigos, interesses externos a vencer. Um país com alma, com sonhos. Durante 40 anos, 45 anos, houve crises de todos os tipos. Mas havia o amanhã, a promessa do amanhã. A busca do amanhã. Um lugar no mundo. Na década de 50, com a economia reduzida praticamente ao café, açúcar, algodão e outros produtos agrícolas, o país lançou-se à loucura de buscar a industrialização. Sem dólares para importar máquinas e equipamentos, pois os preços dos produtos agrícolas estavam de lastros no mercado mundial, estrangulando países pobres como o Brasil. Mesmo assim o país ousou. Era a época em que os intelectuais e formadores de opinião escreviam livros, artigos, teses sobre e contra as políticas de estrangulamento que os países ricos impunham a países como o Brasil. Ou faziam músicas, peças teatrais, filmes sobre a realidade brasileira. Reforçavam a alma brasileira. O sonho realizável. Será que Dona Ruth Cardoso se lembra disso?
Chegou a década de 60, e com ela o golpe militar inspirado pelos E.U.A. , desvios de rota que, no entanto, não conseguiram enterrar de vez os sonhos de construção de um país... A alma nacional resistia. Veio a crise do petróleo, no começo dos anos 70, e o país, que produzia 130 mil barris por dia, mergulhou novamente no abismo da falta de dólares, na recessão, no avanço da miséria. Um país “quebrado” com total falta de dólares, mas que insistia em sonhar com o amanhã.

Em nome desse sonho, novamente, a população pagou a conta. O governo contraiu dívidas fabulosas, criou impostos, apertou o cinto e o crânio dos brasileiros, para canalisar o dinheiro disponível, dos impostos ou empréstimos, para montar indústrias capazes de fornecer produtos que ainda eram importados, de aço a alumínio, de celulose a petroquímicos, de máquinas a sistemas de telecomunicações. Substituir importações para economizar dólares, necessário para a compra do petróleo, ainda não descoberto em grande escala no território brasileiro. Para atender a todas essas novas indústrias, era preciso também construir usinas, as Itaipus, rodovias, ferrovias (o Brasil chegou a produzir 5.000 vagões por ano, com encomendas do governo), sistemas de telecomunicações. Mais aperto de cinto, mais impostos, menos dinheiro para as questões sociais, nunca esquecidas nem mesmo nos debates e escritos dos economistas, ou de empresários. Mas havia a esperança do amanhã. O sonho, de que fala mestre Furtado, de um país economicamente forte, exatamente por dispor de todos os recursos naturais para isso, mas também capaz, ao atingir esse estágio, de maior justiça social, de extinção da miséria. Habitado por um povo orgulhoso de si. Solidário, porque se reconhecendo no outro.
No começo dos anos 90 o sonho estava ao alcance da mão, o amanhã chegava. O Brasil conquistara uma posição entre as dez economias do mundo. Melhor ainda: o Brasil nadava em dólares, porque era capaz de realizar exportações muito maiores do que as importações. Poucos se lembram disso hoje, mas o brasil tinha um dos maiores saldos comerciais positivos (exportações menos importações) do mundo, na casa dos 10 a 15 bilhões de dólares por ano. Tinha dólares seus, não precisava mais de empréstimos ou de capital das multinacionais para realizar investimentos e manter a economia em expansão, para a criação de empregos e a solução dos problemas de seu povo. Foi ontem, e está tudo tão distante.
A serviço de outros países, o governo escancarou o mercado às importações e às multinacionais. Feiticeiros malditos transformaram o saldo positivo da balança comercial em um “rombo” permanente, deram vantagens na cobrança de impostos sobre a remessa de juros e de lucros estimulando o envio de dólares ao exterior, elevaram os juros para cobrir os rombos criados, “quebraram” assim a União, Estados, Municípios. Destruíram a indústria e a agricultura. Em cinco ou seis anos clones malditos dos intelectuais de ontem destruíram o que havia sido construído ao longo de décadas. Destruíram mais. Destruíram o sonho, a Alma Nacional. O que somos hoje? Um quintal dos países ricos? Não. Somos um curral. Bovinos ruminando babosamente enquanto o vizinho do lado , o trabalhador, o funcionário público, o aposentado, o agricultor, o empresário, todos, um a um, são arrastados para o grande matadouro em que o país se transformou, com suas mil formas de abate como o desemprego, os cortes na aposentadoria, as falsas reformas do funcionalismo, a falência, as importações. Bovinos ruminando no curral, enquanto empresas de todos os portes são engolidas por grupos estrangeiros e até o petróleo, ou os campos mais fabulosos de petróleo do mundo, com poços capazes de produzir 10.000 barris por dia, um único poço, sào entregues a preços simbólicos às multinacionais.
Em cinco anos o governo Fernando Henrique Cardoso não destruiu apenas a economia nacional, tornando-a dependente do exterior. Seu crime mais hediondo foi destruir a Alma Nacional, o sonho coletivo. Para isso, e com a ajuda dos meios de comunicação, jogou o consumidor contra os empresários nacionais, “esses aproveitadores” ; o contribuinte contra os funcionários públicos, “esses marajás”, o pobre contra os agricultores, “esses caloteiros”, a opinião pública contra os aposentados, “esses vagabundos”. No governo FHC, o brasileiro foi levado a esquecer que, em qualquer país do mundo, a sociedade só pode funcionar com base em objetivos que atendam aos interesses, necessidades de todos – ou, mais claramente, não se pode por exemplo ter uma política de importação indiscriminada, a pretexto de beneficiar o consumidor, sem provocar o desemprego e a quebra de empresas. Ou, a longo prazo, desemprego generalizado.
Com o jogo perverso de estimular a busca de pretensas vantagens individuais, o governo FHC destruiu a busca de objetivos coletivos. Destruiu a Alma Nacional, o Projeto Nacional. A violenta desnacionalização sofrida pelo Brasil, em sua economia, vai eternizar a remessa de lucros, dividendos, juros para o exterior. Isto é, vai torná-lo totalmente dependente da boa vontade dos governos dos países ricos em fornecer dólares e, portanto, de ordens e autorizações desses países ricos.
Uma espécie de colônia mesmo, como alertou o economista Celso Furtado em palestra que ele encerrou com sua frase, arrasadora pra quem viveu o Brasil de 50 pra cá, “nunca estivemos tão longe do Brasil com que um dia sonhamos”. Mesmo sem tê-lo consultado a respeito, uma sugestão: escreva a frase de Furtado em um papel, e a releia todos os dias. Ou faça decalques com ela. Sugira que seus amigos façam o mesmo. E comece a agir. Ainda há tempo de ressucitar a Alma Nacional, antes que o Brasil vire colônia.

Um dos últimos artigos de Aloysio Biondi.
Consciência.Net



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sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Este nome familiar me parece estar com problemas.

Por acaso não é o antigo Secretário de Transportes do Serra?
Caso seja, ele tem um problema no TCU, e suas "contas" foram consideradas irregulares, por causa de algum B.O. na Cia. Docas, e há um bom tempo..


FREDERICO VICTOR MOREIRA BUSSINGER
CPF 634.224.768-49
Deliberação: Acórdão 359/2002-1ª CÂMARA registrado na Ata 16/2002, em sessão de 21/05/2002

COMPANHIA DOCAS DO ESTADO DE SÃO PAULO - CODESP

Do que será que se trata?.
Vou ver se levanto a capivara do meliante.

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Jornalistas dão nota a governo Lula

É isso mesmo!!!
Uma pesquisa da Macroplan, em sua oitava rodada, mostra a opinião daqueles que - como são apresentados - "geralmente fazem as perguntas, cujas percepções podem antecipar tendências da opinião pública". Também foram avaliados os ministros de Estado e os Governadores dos estados mais relevantes, além das expectativas dos jornalistas quanto ao futuro.
Um resultado que destaquei: o pior governador, segundo os jornalistas, foi Rosinha Garotinho.

Depois escrevo mais.
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

A Rede Globo me fez perder os cabelos !!!



Vou botar aqui a carta que aquele ex-jornalista da emissora dos Marinho escreveu. Leiam, tendo como acompanhamento musical, aquele coral natalino da Globo.

Lealdade

Rodrigo Vianna

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.
Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.
Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".
Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.
Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!
Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.
Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira? "
Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?
Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?
Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!
Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.
Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.
Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).
O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!
Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!
Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.
E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...
E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.
Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!
Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?
O JN levou um furo, foi isso?
Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.
Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.
E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!
Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!
Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?
Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.
Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?
Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.
Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.
Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:
"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".
Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.
E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".
Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou. Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!
João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:
"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".
Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!
Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.
Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.
Mas, isso tudo tem pouca importância.
Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?
Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?
Depois, não sabem porque os protestantes crescem...
Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!
Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.
Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.
Foram quase doze anos de Globo.
Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.
Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.
Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.
Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.
Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.
Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.
Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...
1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.
2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.
Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.
Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!
Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.
Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).
Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.
Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.
Um beijo a todos.
Rodrigo Vianna.
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Prisão !!!

Chinês que colaborou com imprensa é condenado a 20 anos de prisão
Pequim, 20 de Dezembro
O sociólogo Lu Jianhua, membro da Academia Chinesa de Ciências e que colaborou com o jornal "The Straits Times", foi condenado a 20 anos de prisão por "revelar segredos de Estado" a Taiwan, informou hoje o jornal "South China Morning Post".(...)O julgamento foi secreto e a família não foi sequer informada do dia no qual seria dada a sentença. Qu Liqiu ( esposa de LU ) não pôde ver Lu durante o processo.(...) Em 31 de agosto, Ching foi condenado a cinco anos de prisão por espionar para Taiwan, uma sentença duramente criticada pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).(...)Lu, de 46 anos, desapareceu em meados do ano passado e só depois se soube que tinha sido detido pelas autoridades e julgado por suposta espionagem. Ele renunciou à defesa e afirmou que não apelaria.
A íntegra deste artigo está no Comunique-se.
Jornalista que investigava corrupção é detido na Argélia
O jornalista Salah Mokhtari foi preso nesta segunda-feira (18/12) pela polícia argelina. Segundo o jornal Djazair, a prisão ocorreu porque ele era autor de várias matérias sobre corrupção e suborno. Mokhtari foi detido em Medéia, onde realizava sua apuração.
A polícia argumentou que há quatro mandatos de prisão nos últimos dois anos e emitidos por três tribunais diferentes contra o jornalista. O sindicato local pediu sua libertação, lembrando do direito de informar.
Publicado no Comunique-se
Espionagem?
Bom. Até onde eu sei, isso dá cadeia em qualquer lugar do mundo. Esperemos.
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Essa p* de Echelon existe mesmo?

Em meu modesto entendimento, a resposta é SIM.
Essas estórias, que parecem saídas ( a referência a ser feita é óbvia ) do Arquivo X - sobre os governos secretos e tudo o mais - são muito atraentes, fala a verdade. Quer dizer, é melhor do que o cotidiano "vai chover hoje ?" ou "quanto foi o jogo?".
Vou em frente, sem dar explicações sobre "o que é" para quem ainda não sabe. Outra hora.
Sem contar as controvérsias existentes sobre diversos episódios, acontecimentos e a própria História em si.
Alguém, formado nesta disciplina, dirá - e com razão - que seus longos e cansativos anos - passados em sala de aula, pesquisas, bibliotecas, debates e tudo o mais - o credenciariam para discorrer sobre o assunto, sem que cometa erros ou sofra questionamentos a respeito, tanto de suas capacidades, quanto da real importância daquilo que lhe foi ensinado, em termos prioritários (A chamada "História Oficial") . Nem é minha intenção dizer o contrário, longe disso.
Nada conheço do conteúdo programático de cursos universitários ( nem o conteúdo bibliográfico, referencial, autores obrigatórios e etc. ) desde o início até a formação do aluno e a continuação ( pós-graduação, doutorado e assim por diante ) .
Me parece que seria - é minha opinião - imprescindível que o aluno fosse curioso o bastante, e buscasse conhecer as relações ( mesmo fora da grade, insisto ) de sua matéria com as outras.
Mesmo que ( no decorrer de seu curso ) lhe sejam ministradas aulas, em que lhe mostrarão alguns princípios e idéias gerais de outras disciplinas ( p. ex.: Antropologia, Geografia ou Filosofia , mas que contenham alguns elementos necessários - no entender dos docentes - para a melhor compreensão de sua própria matéria ) sua atenção sempre e obrigatoriamente se voltará para o curso escolhido. O que não justifica a falta de interessse por outros temas, nem que seja por hobby. Não se trata de substituir uma coisa pela outra. E nem de dizer que toda maluquice que se ouve ou lê tenha cabimento. Apenas a velha máxima que diz não haver fatos mas sim, versões. Esta máxima também poderia ser discutida, por que não ?
O que eu quis dizer ( ou perguntar ) é: "Credenciamento conquistado ( pelos anos de estudo ) que nos permite continuar estudando ( a partir de um ponto já superior ao alcançado por uma pessoa comum ) ou dar aulas, ou escrever um livro, fazer pesquisas, dar alguma consultoria etc., é o saber oficial plenamente absorvido ?"
O que isso tudo tem a ver com o "Echelon" ?

Posso estar bem enganado mas, caso exista esse troço e, dada a sua natureza já relatada, isso sairá, saiu ou sairia em livros de História oficiais, mesmo os atualizados? Ou apenas constará algum parágrafo sobre "os esforços empreendidos pelos governos ocidentais para combater o terrorismo, o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro pelo mundo", sem grandes detalhes? Isso, no caso dos livros didáticos. Em se tratando de curso acadêmico, nas matérias denominadas "Humanas", como e onde sairá? E o estudante, quando em contato com uma informação desse vulto? A força de seu desejo de se formar e conseguir o sonhado diploma profissional ( assemelhando-o a um aprendiz de marcenaria ou encanador) tratará disso como se fosse algo longínquo ( tanto cronológica como geograficamente ) sem conseqüências para a sua e a vida dos outros?
Tem quem não confie em jornais e revistas - mesmo aqueles que pudessem ser definidos como "com conteúdo" - preferindo os livros como fonte de informações.
É claro: são formatos diferentes, concepções diferentes, processos e resultados diferentes, seja na maneira de conseguir e compreender as informações, seja na maneira de trabalhar com elas. Sem contar os interesses econômicos que norteiam esses veículos.
Só que eu não quero esperar até que um fato se torne digno de figurar em uma tese de doutorado e, só aí então, eu finalmente possa saber do ocorrido. Mesmo porque eu não vou entender nada.

Ah!! Lembrei o que ia dizer: segundo se diz, o Echelon trabalharia colhendo palavras-chave, que seriam então verificadas quanto ao contexto em que se apresentam. Se você escrever "Bush", "Terror" e "Bum!!!" - como eu acabei de fazer, e se eu sumir vocês já sabem porquê - em uma mensagem, ela será captada e estudada. Pode ser um contato entre terroristas ( Putz, eu fiz de novo ! ) e a operação está prestes a ser desbaratada.
Apesar desse poder que lhe é atribuído, há quem diga que não poderia existir um sistema tão avançado, e que pudesse dar conta de captar todas as informações veiculadas nos meios eletrônicos, depois analisadas, traduzidas ( se for o caso ) , contextualizadas, etc. E depois disso, provavelmente, descartadas, para começar tudo de novo. Seria muita coisa, haja estrutura.
Nesse caso, o ideal é restringir o campo de procura. A menos que se trate de mensagens convincentemente criptografadas, pelo menos na Internet 90% - de acordo com o DATAMILHO - é merda indigna de atenção.
O que sobra de interessante, não dá para enxergar nele algum sinal de atividade terrorista.
Excluíndo-se estes, os poucos que sobram e que merecerão a atenção dos arapongas gringos ainda produzirão muita coisa suspeita, e que poderá sobrecarregar o sistema, fazendo cair por terra todo o esforço de contraterrorismo, até por questão de orçamento.
Mas já existem elementos, cujo uso voluntário auto-incrimina os terroristas em potencial, economizando o tempo, dinheiro e trabalho de nossos vigilantes.
Chamam-se TAGS e todos usamos.
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Acordo Nuclear Índia-EUA. Está em inglês, mas acho que dá para entender um pouco.


Security is vital in US-India nuke deal
By Charles D. Ferguson

WASHINGTON - The US-India nuclear deal has stirred controversy within the US Congress and the Indian Parliament. The deal could ultimately improve and deepen relations between the world's oldest and largest democracies. But it has focused concern on the potential for sparking nuclear war or an arms race in South Asia, and little or no attention has been paid to how the deal's implementation might increase the threats of terrorism and military attack against Indian nuclear facilities.
These threats could grow in three ways. First, the deal can facilitate a substantial expansion of India's plutonium stockpile in the civilian and military sectors. Plutonium, a toxic and fissile material, could, in the hands of skilled terrorists, fuel improvised nuclear devices - crude but devastating nuclear bombs - or radiological dispersal devices, one type of which is popularly called a "dirty bomb."


( O artigo foi publicado em 19 de Setembro no Christian Science Monitor )



UNITED STATES AND INDIA NUCLEAR COOPERATION ( PDF )

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Partido da Revolução Bolivariana Nacional. O pesadelo da Editora Abril, do Estadão, da Globo e da elite branca muito má. Tomaram papudos??

Meu Deus, onde vamos parar ???
É o comunismo apedeuta das ONGs internacionais - financiadas pelas Fundações Ford e Rockfeller, pela Comissão Trilateral, pelo Council on Foreign Relations e sabe-se lá por quem mais - tomando o poder no Brasil, para horror do mundo ocidental livre.
Parece até aquela cena do "Corra que a polícia vem aí ( The Naked Gun ) ": o encontro entre os representantes do Eixo do Mal num barco. Tão lá o Fidel, o Arafat, o Khadafi, o Gorbatchev e outros que eu não lembro.
MIAMI, AÍ VOU EU !!!
Agora, as péssimas notícias, para estragar o Ano Novo. Nem roupas brancas irão nos ajudar.


Revolução bolivariana já tem o seu partido político no Brasil
Sem nenhum alarde, foi fundado no início deste mês o Partido da Revolução Bolivariana Nacional (PRBN).
O Programa e o Estatuto da nova agremiação foram publicados no dia 15 de dezembro no Diário Oficial da União e a assembléia de aprovação do estatuto ocorreu no dia 2 de dezembro. O objetivo do novo partido, conforme explica na entrevista abaixo Paulo Roberto Kuchenmeister de Memória, o presidente da Comissão Diretora Nacional Provisória do PRBN, é a integração dos países da América Latina em um bloco e a construção de uma via para o socialismo do século 21. De acordo com o programa do novo partido, o socialismo bolivariano “deve ter um perfil humanitário, assegurando os direitos sociais e individuais, garantindo a liberdade, o bem estar, a igualdade, e justiça”.
Empresário de 43 anos, Paulo Memória não é propriamente um novato na política. Já foi presidente estadual do PTdoB do Rio de Janeiro, candidato a Prefeito do Rio em 1996, e assessor Especial do prefeito da cidade do Rio para Relações e Integração com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa entre 2001 a 2004, na gestão de Cesar Maia (PFL) .
A julgar pela desenvoltura com que fala sobre a revolução bolivariana, o presidente do PRBN está levando a sério a missão de divulgar as idéias de Simon Bolívar que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, transformou em sua própria plataforma política.
O presidente do PRBN, porém, não está sozinho divulgação da ideologia bolivariana no Brasil: uma simples busca na Internet revela a existência de vários “círculos bolivarianos” — grupos sem registro partidário que defendem as idéias de Hugo Chávez. No Rio, por exemplo, há o “Círculo Bolivariano Leonel Brizola”; o de São Paulo conta com endereço na Internet (www.unidadepopular.org/) para divulgar suas ações.
Para Paulo Memória, a união dos povos latino-americanos deve ser encarada não apenas do ponto de vista político, mas também da força econômica que tal união poderia representar. “A América Latina somada, representa o 4º maior PIB do mundo; mais de U$ 2 trilhões, ficando atrás apenas dos EUA, da União Européia e do Japão”, diz ele.

Leia a seguir a entrevista com o presidente do PRBN:

DCI:Como surgiu a idéia de fundar um Partido Bolivariano no Brasil ?
Paulo Memória:Surgiu a partir de uma releitura do cenário político brasileiro. Achamos que o governo Lula representa um avanço no campo das políticas sociais, mas existe a imediata necessidade de uma reforma econômica comprometida com os interesses nacional e continental. Neste sentido, o PRBN surge como uma vanguarda partidária, defendendo o projeto da integração regional da América Latina. Só com a nossa união poderemos estar melhor inseridos num mundo cada vez mais globalizado. O PRBN pensa o Brasil de uma perspectiva de unificação dos povos latino-americanos. Queremos preencher este vácuo político.

DCI:Na sua avaliação, qual é a força real da América Latina hoje?
PM: A América Latina somada, representa o 4º maior PIB do mundo; mais de U$ 2 trilhões, ficando atrás apenas dos EUA, da União Européia e do Japão. Não por acaso o PRBN surge, oficialmente, na véspera do histórico dia em que foi aprovado e instalado no Senado, o Parlamento do Mercosul, no dia 15 de dezembro último, em Brasília, com a presença do presidente Lula e de delegações parlamentares dos 5 países que integram o bloco.

DCI:Em que consiste a Revolução Bolivariana?
PM:A Revolução Bolivariana é inspirada nas idéias, no pensamento e na ação política do libertador latino americano, Simon Bolívar, que viveu no século XIX. Bolívar defendia a unificação política, econômica, social, e cultural da América do Sul em um só país. A idéia original da união continental rompeu o tempo e permanece contemporânea; por isso defendemos a idéia de integração em substituição a de globalização. A integração está comprometida com o respeito ao multilateralismo e às soberanias nacionais, e a globalização às práticas neoliberais estabelecidas a partir das práticas unilaterais concebidas pelo consenso de Washington. Por tudo isso, o PRBN vai propor a constituição de uma Internacional Bolivariana, um fórum que poderia agregar o Movimento Quinta República, de Hugo Chávez, da Venezuela; pelo Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo Morales da Bolívia; pela FSLN de Daniel Ortega, da Nicarágua; pela Aliança País, do presidente eleito do Equador, Rafael Correa; pelo Partido Nacionalista Peruano, de Ollanto Humala, e ainda pelo Pro Mexicano de Lopes Obradur, pelo também mexicano EZLN, do Sub-Comandante Marcos, pela FMLN de El Salvador, pelo Partido Comunista de Cuba e pelo MIR Chileno, entre outros partidos. Esta é uma nova idéia que estamos lançando para o debate.

DCI: O presidente Lula tem boa relação com Chávez. O senhor acha que Lula é um nome adequado para levar adiante a Revolução Bolivariana no Brasil?
PM:A Revolução Bolivariana está intimamente associada à construção de uma via para o “socialismo do Século XXI”. Entendemos que esse socialismo, de perfil humanístico, é o grande desafio filosófico para a humanidade neste século, pois representa a elaboração de novos conceitos, diretamente relacionados a mudanças de concepções programáticas que envolvem o poder público, a sociedade civil organizada no terceiro setor e as novas definições debatidas nos fóruns sociais mundiais. Independentemente de ser o nome adequado para levar adiante a Revolução Bolivariana no Brasil, achamos que o presidente Lula pode dar uma grande contribuição a este projeto político.

DCI: Outro político que vem sendo apontado como próximo a Chávez no Brasil, é o governador do Paraná Roberto Requião. Como o senhor avalia a atuação de Requião?
PM: O governador Roberto Requião já afirmou por diversas vezes ser um simpatizante e defensor aos ideais de Simon Bolívar. Naturalmente, isto cria uma aproximação política com o presidente Hugo Chávez, que é o referencial político da Revolução Bolivariana no mundo. O presidente Chávez é um líder admirado e respeitado internacionalmente, além de ser um grande estrategista geopolítico. Neste sentido, o Governador da República Bolivariana da Venezuela tem feito parcerias com governos aliados, observando critérios técnicos e econômicos. Neste sentido, foram assinados entre os governos venezuelano e paranaense, 15 acordos bilaterais que prevêem investimentos de U$ 440 milhões em vários setores econômicos e sociais do Estado do Paraná. Da mesma forma, o presidente Chávez se reuniu recentemente com o presidente Lula e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a PDVSA (Petrobrás da Venezuela S/A) irá aportar R$ 2,8 bilhões na construção da Refinaria General José Ignácio de Abreu e Lima, em Pernambuco, numa parceria com a Petrobrás.

DCI:O senhor é favorável à reeleição sem limites, como defende o presidente Chávez na Venezuela ?
PM: Esta é uma questão muito controversa, que deve ser analisada no contexto de cada país. Qual o critério para haver reeleição ilimitada para o Legislativo e não o Executivo? O estágio da consolidação democrática é muito diferente entre o Brasil e a Venezuela. No Brasil, a oposição atua dentro dos limites institucionais e da legalidade. Na Venezuela foi dado um Golpe de Estado em 2002 para deposição de Hugo Chávez, presidente constitucionalmente eleito por ampla maioria da sociedade venezuelana. Isto é inconcebível no moderno Estado brasileiro, que vem sendo construído nos últimos 20 anos. Não podemos desvincular o instrumento da reeleição da lógica da solidificação democrática.

DCI:O que o senhor pensa dos partidos políticos brasileiros; e com quais seria possível fazer acordo ou fechar alianças ?
PM: A grande maioria dos partidos é vazio ideologicamente. Sabemos que muitas pequenas legendas servem como estuários de aluguel dos grandes partidos em períodos eleitorais. Entretanto, o vazio doutrinário e pragmático atinge, sobremaneira, os grandes partidos, que foram criados e atuam em função de uma ideologia dominante, muito voltada para a razão de ocupação de espaços de poder. São incoerentes nacionalmente, e dependendo da região ou Estado, esses partidos podem ter um corte mais progressista ou um caráter voltado para um conservadorismo extremado, no mesmo partido. O PRBN surge com um projeto claro, somos Pan-Bolivarianos, Neo-Terceiro Mundistas e Nacionalistas-Continentais. Queremos discutir o projeto com a sociedade brasileira, e que ela faça a sua opção. A principal aliança que pretendemos fazer é com o povo brasileiro.

DCI:Com a queda da cláusula de barreira, os pequenos partidos saíram ganhando. O senhor fundaria o PRBN se a cláusula de barreira estivesse vigorando ?
PM:A reforma política é necessária. Não nos moldes que o conservadorismo político nacional deseja. Na verdade a Cláusula de Barreira ou de desempenho não muda nada da realidade dos pequenos partidos. Está implícito nesta questão dois pesos e duas medidas, pois enquanto alguns partidos recebem até R$ 18 milhões de Fundo Partidário por ano, outros recebem R$ 28 mil, a exemplo do PSOL. Enquanto os grandes partidos têm uma hora e quarenta minutos de propaganda institucional por semestre, outros tem apenas dois minutos no mesmo período. Como exigir resultados eleitorais satisfatórios com oportunidades diferenciadas, tanto para a exposição de programas, como para as possibilidades de estruturação do aparelho partidário? A desigualdade entre os partidos no Brasil ainda é um grande empecilho para a chamada democracia representativa, da qual tanto nos orgulhamos, e uma verdadeira reforma política tem que contemplar essa discussão com profundidade.

DCI:Como o senhor analisa o cenário geopolítico da América Latina?
PM: Na minha opinião, o continente passa por um momento que eu chamo de “retomada da consciência progressista”. Uma onda bolivariana começa a varrer a América Latina, desconstruindo as idéias impostas à América Latina e aos Países do Terceiro-Mundo pelo Consenso de Washington e revertendo as fracassadas políticas neoliberais, que tantas desgraças trouxe aos povos do nosso continente. A prova maior dessa maturidade foi a reeleição do Lula no Brasil e de Hugo Chávez na Venezuela, das eleições de Evo Morales, de Daniel Ortega e Rafael Correa na Bolívia, Nicarágua e Equador respectivamente, ou ainda da quase eleição de Ollanda Humala no Peru, que perdeu por uma diferença mínima contra todas as forças políticas da elite peruana, sem esquecer da eleição “garfada” de Lopes Obrador, no México, que perdeu “oficialmente” a eleição por 0,5% de diferença, num processo eleitoral cujos resultados foram amplamente contestados. De qualquer forma, a América Latina está mudando, e esta mudança está intrinsecamente relacionada à Revolução Bolivariana.

DCI:Na sua avaliação que tipo de relação o Brasil deve ter com os EUA? E o que pensa da Alca ?
PM: Relações que não sejam de submissão aos organismos internacionais a serviço da Casa Branca. As relações devem ser aquelas estabelecidas pelo direito internacional e pelas regras que norteiam as relações comerciais globais. Não podemos admitir uma “Doutrina Bush”, onde os Estados Unidos se acham vocacionados para dominar o mundo, com as teorias definidas pelos neocons de que o ataque preventivo contra qualquer nação é a melhor defesa para os interesses imperialistas americanos. Está claro que os Tratados de Livre Comércio, a exemplo da Alca e do Nafta, só servem aos interesses corporativistas dos grandes grupos econômicos multinacionais norte-americanos. Por isso defendemos a Alba - Alternativa Bolivariana para as Américas, que mais do que uma aliança comercial ou econômica propõe uma união política e ideológica entre os países do nosso continente. Este sim é um enorme desafio civilizatório, onde acreditamos que um mundo novo é possível.

Fonte: Jornal DCI / Panorama Brasil
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Rombo inaceitável no caixa do país !!!!!


A opinião abalizada do Cata-Milho

Mas não tem jeito mesmo !!

Já não bastasse o aumento de 91% que quase os parlamentares conseguiram, não fosse o alto brado do clamor popular contrário a este roubo, agora os perdulários vêm com o aumento criminoso do salário mínimo !!!
Eles querem é quebrar o Brasil !!!!



Os leitores já estão reparando...
LUIZ ANTONIO MAGALHÃES

A Folha de S. Paulo publicou a carta abaixo, cujo conteúdo é muito semelhante aos comentários deste blog sobre o salário mínimo. Pode perfeitamente ser uma coincidência, pois o movimento da Folha está cada dia mais evidente. A novidade é que os leitores não só estão reparando que o jornal não é mais o mesmo como também resolveram escrever para reclamar.

Mínimo irracional
"A inflexão à direita da Folha tem sido amplamente notada e comentada nos últimos tempos. Mas o editorial da última sexta-feira, dia 22/12 ("Mínimo irracional'), é de assustar até os moderados. Num país que ostenta a vergonhosa posição de vice-campeão de desigualdade social do planeta e campeão absoluto na transferência de renda aos mais abastados via taxa de juros, classificar de "irracional" um vergonhoso salário mínimo de R$ 380 só seria compreensível se se tratasse de uma crítica ao seu valor insuficiente. Mas bradar, como fez a Folha, contra o incremento de R$ 5 em seu valor, tachando-o de "gastos estéreis", além de assustar pela insensibilidade social, reflete o país em que vivemos. Trata-se de um editorial histórico. Talvez, dentro de cem anos, ajude a compreender o tipo de sociedade mesquinha e gananciosa que existia neste Brasil no limiar do século 21 e o papel da mídia em sua perpetuação."
JORGE LUÍS BREDER (Campinas, SP)

Por Luiz Antonio Magalhães
Blog Entrelinhas
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Então é Nataaaaal !!! ( Os marines do passado, presente e futuro )

Ahmed Ghazi não tem muitas razões para manter um estoque de brinquedos em sua loja, em Fallujah. Ele sabe o que as crianças estão querendo atualmente.
"Seria melhor trazer brinquedos como armas e tanques porque são mais fáceis de vender aos garotos do Iraque. As crianças tendem a imitar o que vêem do lado de fora das janelas.", disse Ghazi à agência IPS. E continua:
"Já as garotas, ao invés de bonecas que dançam e cantam, preferem aquelas que choram."

(Esta é uma tradução aproximada das primeiras linhas de "Children Pick Their Christmas Toys" , cujo texto integral em inglês, foi publicado em Inter Press Service News Agency ( IPS ). )
É ler e chorar, como aquelas bonecas desejadas pelas meninas iraquianas.
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E eu falando mal de meus vizinhos. Desculpem-me. (...) Ah, esqueci que eles não vão ler isso !!

Miyoko Kawakara, da cidade ( estado? território? distrito? ) de Nara, no Japão, foi presa e julgada ( em 24-04-06 ) por ter passado cerca de 2 a 2,5 anos escutando música no último volume, para importunar uma vizinha de quem não gostava, além de gritar-lhe insultos a plenos pulmões.Em julgamento anterior,alguns meses antes deste, a headbanger havia sido condenada a pagar uma multa de 2 milhões de ienes.Miyoko admitia ter posicionado as caixas de som na direção da casa da vizinha, do outro lado da rua.
A pobre vizinha- uma senhora de 64 anos de idade - passou a ter fortes crises de dores de cabeça e insônia, causadas pelo som alto de Miyoko.Por suas atitudes, Miyoko,que já havia cumprido cerca de 250 dias sob custódia da justiça, pegou uma sentença de 3 anos, o que significa que teria ( faz tempo, lembrem )apenas mais 100 dias a ser cumpridos.
Os residentes na área expressaram sua preocupação quanto ao retorno da criminosa à vizinhança e pelas conseqüências disso.
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terça-feira, 26 de dezembro de 2006

PRE-SP recorre ao TSE contra a diplomação de 10 deputados


Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP), órgão do Ministério Público Federal, recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a diplomação de 10 (dez) deputados, efetivada no último dia 19/12/2006 pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Trata-se de 5 (cinco) deputados federais e 5 (cinco) deputados estaduais eleitos. Os recursos foram interpostos no último dia 22/12/2006 (6ª feira), último dia do prazo legal.
O Recurso contra a Diplomação (RCD) tem fundamento no art. 262 do Código Eleitoral e pode ser interposto, dentre outras hipóteses, quando existam provas de que o candidato tenha agido com abuso de poder econômico ou político ou tenha infrigido o art. 41-A da Lei 9.504/97, que pune a captação ilícita de votos (mediante o oferecimento de bens ou vantagens a eleitores).
Os deputados eleitos contra cuja diplomação a PRE-SP está recorrendo serão notificados pelo TRE-SP para apresentação de sua defesa, após o que os respectivos Recursos serão encaminhados ao TSE, para julgamento, que poderá ser precedido da realização de diligências requeridas pelas partes.

Na hipótese de o Tribunal Superior Eleitoral dar provimento aos recursos da Procuradoria, os deputados eleitos perderão o diploma e, conseqüentemente, o mandato. Segue abaixo a relação dos candidatos contra cuja diplomação a PRE-SP está recorrendo:

Deputados Federais
Aline Lemos Corrêa de Oliveira Andrade
Guilherme Campos Júnior
José Abelardo Guimarães Camarinha
Paulo Pereira da Silva
Valdemar Costa Neto

Deputados Estaduais
Alex Spinelli Manente
Celso Antônio Giglio
José Domingos Bittencourt
Vanessa Doratioto Damo * ( *Nota do blog: Nós tinhamos falado!! )
Vinícius de Almeida Camarinha

O inteiro teor dos recursos poderá ser consultado no sítio da PRE-SP na internet: www.presp.mpf.gov.br

OUTRAS REPRESENTAÇÕES DA PRE/SP
Os recursos contra a diplomação supra referidos vêm se somar a outras medidas adotadas pela PRE-SP em face de diversos deputados eleitos em 1º de outubro passado.
Com efeito, em 18/10/2006, a PRE-SP já havia pedido diretamente ao TRE-SP a cassação do diploma de 14 deputados eleitos, invocando principalmente o art. 30-A da Lei 9.504/97, introduzido pela minirreforma eleitoral de maio de 2006, tendo em vista arrecadação e gastos ilícitos de recursos para campanha eleitoral. Consulte a propósito o sítio da PRE-SP: http://www.presp.mpf.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=251&Itemid=74

Além das representações fundamentadas no art. 30-A da Lei 9.504/97 e dos Recursos contra a Diplomação, que são embasados no Código Eleitoral (art. 262), a PRE-SP está também ajuizando esta semana ações de impugnação de mandato eletivo (AIMEs) contra diversos candidatos eleitos.
A ação de impugnação de mandato eletivo é prevista na própria Constituição Federal (art. 14, § 10º), que determina seu processamento em segredo de justiça.

PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL DE SÃO PAULO
www.presp.mpf.gov.br
pre@prr3.mpf.gov.br
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Natal sem Braguinha e Chaplin

Morreu o compositor aos 99 anos

Quando estávamos nos preparando para comemorar o nascimento de Jesus, na véspera, 24/12, morreu o compositor Braguinha (Joăo de Barro) aos 99 anos.
Uma triste coincidência. O compositor nasceu na Gávea (Rio de Janeiro), a 29 de março de 1907 – uma sexta-feira da Paixăo e faleceu às vésperas do Natal.
Outra coincidência. A Revista MPB Compositores nº. 21, BRAGUINHA, da Editora Globo, revelou: “Quem diria, hein! O Braguinha parceiro de Charles Chaplin”, brincaria certa vez Ary Barroso.
Brincadeira com fundamento, uma vez que Joăo de Barro é autor da letra em português de Luzes da Ribalta (Limelight). Mesmo especialista em versões, neste trabalho Braguinha criou exclusivamente sobre o tema melódico, sem letra original (Obra citada, págs. 15 e 16)”.
Se ele morreu na véspera, o “parceiro” Charles Chaplin faleceu no dia 25 de dezembro de 1977. O gênio que criou o imortal Carlitos encontra-se, atualmente, esquecido. Nos 29 anos de sua morte, em mais um Natal, năo mereceu uma linha dos grandes jornais!

Braguinha foi autor de grandes sucessos de nosso carnaval, alguns cantados até hoje. Entre outros, Pastorinha (com Noel Rosa), Yes, Nós Temos Banana, Chiquita Bacana e Touradas em Madri. A cantora Leci Brandăo constatou: “Ele foi um dos compositores que mais se dedicou à musica carnavalesca, coisa que hoje quase năo existe mais”.
Um fato deve ser destacado: em 1984, a Mangueira venceu o Carnaval com o desfile “Yes, Nós temos Braguinha”. No entanto, o seu maior sucesso foi Carinhoso, música de Pixinguinha, composta em 1917, na qual ele colocaria letra anos depois (1936), gravada por Orlando Silva em 1937. A mesma revista relata: “Carinhoso, música com mais de cem regravações, seria interpretada por nomes como Orlando Silva, Isaura Garcia, Radamés Gnattalli (piano), Ângela Maria, Elizeth Cardoso, Maria Bethânia. Banden Powell (violăo), Sílvio Caldas, Elis Regina, Tom Jobim, Maria Creuza, Joăo Bosco, Jair Rodrigues, Sergio Endrigo, Garoto e Paulo Tapajós”.

Como bom carioca, compôs Copacabana, segunda composiçăo mais gravada e que se tornou conhecida na voz de Dick Farney. Outros que a interpretaram: Lúcio Alves, Maysa, Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, além de Sarah Vaughan e Bing Crosby.
Na citada revista, ficamos sabendo de sua produçăo infantil. Como diretor artístico da Columbia, Braguinha seria um dos responsáveis pela dublagem brasileira de Branca de Neve e Os Sete Anões, de Walt Disney, sendo também autor da composiçăo Pela Estrada, de Chapeuzinho Vermelho: “Pela estrada afora / eu vou bem sozinho / levar estes doces / para a vovozinha. / Ela mora longe, / o caminho é deserto / e o lobo mau/ passeia aqui por perto”.
Luis Nassif, no artigo “Yes, nós temos banana” , relembrou “uma coleçăo de disquinhos coloridos, de histórias infantis, produzidos por Joăo da Barro, o Braguinha. Aquelas musiquinhas iluminaram năo só minha infância, mas todas as crianças de meu tempo. (...) Nos anos 70 essas historinhas atingiram cinco milhơes de gravaçơes – provavelmente o maior fenômeno da indústria fonográfica brasileira de todos os tempos”.

Outras composições que foram também sucessos: músicas juninas, principalmente Noites de Junho. Elas me fazem lembrar minha terra natal, Săo Joăo da Boa Vista, que comemora seu aniversário em 24 de junho.
Poderia citar ainda inúmeras outras composições que também foram e săo sucessos. Entretanto, essas mencionadas bastam. Elas mostram o grande compositor que o Brasil perdeu!
Nana Caymmi, declarou à imprensa: “Hoje [24/12] o céu está em festa, Deus quis ouvir “Carinhoso” de perto”.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
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