terça-feira, 15 de julho de 2008

Dantas falou "PT" e, para o imprensalão, isso basta!! Mas e o Echelon* que a filha de Serra e a irmã de Dantas tinham?

1) Essa daqui eu mandei para a Carta Capital ( site e revista ) quando percebi que o Estadão botou um monte de páginas que levavam a entender que Daniel Dantas surgiu em primeiro de Janeiro de 2003:
"Saudações,
Atualmente, é duro verificar que os jornalões estão inundando suas páginas com as peripécias de Daniel Dantas. E também é fácil verificar que a grande maioria da - assim chamada - opinião pública, ignora quem seja o personagem.
Mas os leitores de Carta Capital o conhecem bem. Pois a revista trouxe as andanças de Dantas pelo universo empresarial brasileiro, de modo que as denuncias conta ele não constituem surpresa.
Mas, voltando aos jornalões ( e revistas ), não acho que seja justo que faturem, agora, esgotando seus repartes, devido ao assunto, quando sabemos que a Carta foi a pioneira e os mesmos jornalões nada traziam a respeito. Por isso, quero sugerir à redação da revista, que lance nas bancas uma compilação das matérias mais importantes sobre Dantas, desde as que saíram quando Carta ainda tinha sua periodicidade mensal; uma espécie de "Guia", para melhor situar o público nesse imbróglio. Vocês poderiam, até, junto aos textos, trazer as capas de jornais e revistas nos períodos correspondentes, para que possamos comparar quais assuntos eles destacavam, enquanto que Carta Capital trazia mais uma do Dantas.
Sem trocadilho, acho que vocês não devem perder esta "oportunidade". "
2 ) Sim pois, a vinculação de Dantas ao PT ( e apenas a este ) desvincula o banqueiro das maiores relações, que foram com o governo do FHC. Sem contar a proximidade de sua irmã com a filha de José Serra, que já mencionei aqui algumas vezes. Mas, sem o brilhantismo deste post, publicado hoje no Entrelinhas, de Luiz Antonio Magalhães, que traz uma revelação chocante: entre os vários serviços que a empresa das duas Verônicas oferecia, havia algum tipo de "pesquisa cadastral" num "banco de dados" ( ou seria uma planilha? Tá, bom. Brincadeira. Desculpe. ) de 70 milhões de registros de brasileiros; de onde viriam tais informações? Da Kroll? Da Knowx ( ou, mais precisamente, da ChoicePoint )? Quiçá, da base de dados dos paulistas que a Secretaria de Segurança de SP pensava em vender ( leia: "Dados ou vendidos?", neste blog, em 06.06.06 ) para a iniciativa privada ( apesar de, honestamente eu não saber dizer se a idéia se concretizou ) ? Bom, se não estou enganado, Greg Palas afirmou que dados de colombianos e brasileiros estariam sendo adquiridos pela ChoicePoint. Depois eu levanto essa capivara decentemente.
Luiz conclui o post afirmando que o empreendimento tem todo o jeito de coisa típica do Serra:
Blog ENTRELINHAS, 15.07.08
Verônica Serra, filha do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mantem hoje algum tipo de participação na empresa Decidir.
Com, da qual fez parte em sociedade com Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Valente Dantas?
Esta pergunta, pelo menos ao que este blog tenha conhecimento, não foi nem sequer formulada pelos jornalões e revistonas da grande imprensa brasileira. A nota abaixo, publicada em setembro de 2002 na revista IstoÉ Dinheiro, informa que Verônica Serra "tirou o seu nome" da empresa antes do pai ser formalmente indicado candidato do PSDB à presidência.
AS DUAS VERÔNICAS
Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, era sócia até 3 de maio último de Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Dantas, do Opportunity. Elas fundaram juntas uma empresa de internet, a Decidir.com, que continua em plena atividade. A empresa foi registrada em Miami no dia 3 de maio de 2000, sob o número P00000044377. Tem filiais na Argentina, Chile, México, Venezuela e Brasil. O site oferece dicas sobre oportunidades de negócios, incluindo a área de licitações públicas no Brasil. Consta no site: “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. A filha de Serra tirou o nome da empresa antes do pai ser oficializado candidato.
Ora, passadas as eleições, Verônica Serra voltou a se associar com a sua xará? Uma visita ao site Decidir.com traz algumas pistas, mas não todas. É possível saber que entre os investidores do negócio está o Opportunity, porém não há nenhum link para a diretoria da empresa ou equipe que comanda o empreendimento.
A visita, no entanto, vale a pena só pela descoberta do tipo de negócio com o qual as duas Verônicas se envolveram. Entre os produtos oferecidos estão:
1. Informações de Crédito - consultas sobre CPFs, protestos, cheques devolvidos, etc.
2. Serviço de Verificação de Identidade
3. Segurança Eletrônica
O segundo "produto" é oferecido com a seguinte descrição:
O que é o Serviço de Verificação de Identidade (SVI)?
O SVI representa a solução mais simples, ágil e prática para o problema de cadastros e mailings com dados duvidosos ou desatualizados. Se você quiser otimizar a utilização das bases de dados de clientes ou prospects e ainda ampliar os dados que possui de um cadastro pré-definido, o SVI é o seu maior aliado em uma ação eficiente para alcançar o target desejado.
• Como funciona o SVI?
1. Através do SVI, você enviará à DECIDIR a lista com apenas um dos campos dos seus registros preenchidos (ex. CPF).
2. A DECIDIR realizará as verificações sobre a validade dos dados, utilizando as bases de dados do seu sistema que compreendem mais de 70 milhões de registros em todo o Brasil.
3. Em poucas horas você recebe de volta a listagem original dos CPFs com os dados estatísticos que apontam a qualidade daquela base de dados. Para os registros válidos encontrados na base da DECIDIR, você receberá todas as informações que estão relacionadas àquele CPF. Como o leitor pode perceber, é até possível que Verônica Serra já não esteja mais neste ramo, mas que o negócio tem toda a cara do pai dela, ah, isto tem!
3 ) * ECHELON - saiba mais
4 ) Hoje, a Folha traz a informação de que o Dantas contratou advogados "ligados" ao PT, sem contrato formalizado ou rastro disso. São os atuantes Kakay e Teixeira, e seus serviços teriam sido prestados entre 2003 e 2005 ( ou seja, do começo do governo Lula, até a época dos eventos conhecidos como "Escândalo do Mensalão ); esses pagamentos teriam sido detectados durante uma auditoria feita na Brasil Telecom, em 2005 [ OBS: a matéria fala em "documentos inéditos" da auditoria ocorrida há 3 anos? Ninguém se interessou em divulgá-los desde então? ] a partir de pedido dos fundos de pensão, quando estes conseguiram o controle sobre a empresa, que vinha sendo comandada por Dantas. Essa auditoria constataria, também, que Dantas usava dinheiro da BrT para pagamento de funcionários dos quadros do Opportunity, informação - e denúncia - incluída na representação contra Dantas, apresentada contra ele pelos novos diretores da BrT, junto à CVM. O que nos leva a Teixeira e Kakay. Eles teriam recebido grana da BrT para fazer serviços de interesse do Opportunity. Mas, isso somente diria respeito a Dantas e a BrT, pois, a menos que os advogados soubessem que o dinheiro era da telefônica, isso é assunto interno que deve ser resolvido pelos acionistas.
Uma coisa que me parece inexplicável é por quais motivos um sujeito como Daniel Dantas [ que, ao que parece, capaz de grampear um monte de gente ( ironicamente, parece que até Naji Nahas e Paulo Maluf foram investigados pelo SSD - Serviço Secreto Dantesco ), contratar os serviços de espionagem da Kroll, comprar parte substancial do imprensalão ( se não a maior parte ) ] contrataria justamente para "prestar serviços" ( não estou sendo irônico, é que a expressão é vaga ) um advogado ligado a Lula e outro a Zé Dirceu, com tantos à disposição no país? E por quê um advogado nessas condições aceitaria "prestar serviços" a alguém com a biografia de Dantas, sabendo que isso poderia resultar em suspeitas, não contra Teixeira ou o Kakay, mas contra Lula, Dirceu, Dilma ou seja lá quem fosse? Ingenuidade assim, nem nos contos de fada sob a ótica de Walt Disney. Ainda mais se pensarmos que em 2002, ao que parece, Dantas já mandava grampear pessoas que fariam parte do governo Lula ( o que me faz refletir, agora, se Celso Daniel não teria sido, também, um dos personagens grampeados pelo esquema; isso poderia ter mudado completamente seu destino ).
Outa coisa: parece haver um movimento na direção de indispor a opinião pública contra os "excessos" da PF. Isso significaria dar, automaticamente, o aval às seguidas decisões de Gilmar Mendes que soltou Dantas por duas vezes. Mostrar petistas como Dirceu e Greenhalg se queixando das supostas arbitrariedades, ao contrário de parecer isenção, objetiva sugerir que tudo é feito pela PF na base da força excessiva, não importando quem seja ( incluíndo-se aí, é claro, a prisão com algemas de Dantas ). Para levar-nos a crer que o Juiz Sanctis e a PF estão errados e Gilmar Mendes, certo, haja ginástica.
E o vazamento de informações à Globo não é, simplesmente, um excesso, mas um favorecimento muito esquisito, e não atenta contra algum direito dos presos, em particular, mas de todos os cidadãos, que devem se perguntar o por quê dessa preferência:
Dantas pagou advogados ligados ao PT sem contrato
15/07 - - Folha de SP
Defensores próximos de Lula e Dirceu dizem ter prestado serviços entre 2003 e 2005
Dados sobre os pagamentos estão em auditoria feita a pedido dos novos donos da BrT, que foi gerida pelo banco de Dantas até 2005
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
LEONARDO SOUZA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Documentos inéditos da auditoria interna da Brasil Telecom de 2005 sobre a passagem do banqueiro Daniel Dantas no controle da companhia telefônica revelam pagamentos de R$ 1,2 milhão para o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de pelo menos R$ 3 milhões para o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, amigo do ex-ministro José Dirceu (PT), sem que os auditores tivessem encontrado os contratos para a prestação de serviços de advocacia.
Kakay recebeu ao todo R$ 8,3 milhões. A auditoria encontrou apenas um contrato de R$ 5,3 milhões -sobre o qual afirmou não ter localizado nenhuma comprovação de efetiva prestação de serviços advocatícios. Teixeira afirmou que tem consigo uma cópia do contrato.
A Brasil Telecom foi controlada pelo banco de Dantas até meados de 2005, quando os fundos de pensão de estatais conseguiram na Justiça assumir o controle da companhia. Os novos donos então determinaram uma ampla auditoria.
A Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que investiga e prendeu Dantas na semana passada, apura atividades de advogados remunerados pelo banqueiro sem atuar formalmente em processos judiciais relacionados ao banco, como o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). Para a PF, tratava-se de lobby político. Ele nega irregularidades.
De acordo com documentos do relatório da auditoria da telefônica, aos quais a Folha teve acesso, o escritório de Roberto Teixeira foi pago pela BrT "para prestar serviços para o Opportunity". Em dezembro de 2005, os auditores concluíram: "Não foram localizados contratos de Roberto Teixeira com a Brasil Telecom. Foram localizados pedidos de compra sem contrato e pagamentos para Roberto Teixeira, que somam R$ 1,2 milhão, entre abril de 2003 e março de 2005".
Teixeira, segundo o histórico dos pagamentos, passou a ser remunerado três meses depois da chegada de Lula à Presidência. Os auditores citaram Teixeira como "advogado muito próximo de Lula".
Em outra parte do relatório, os auditores listaram 39 pagamentos a empresas e pessoas físicas feitas a partir de "pedidos não vinculados a contratos". São pagamentos de cerca de R$ 285 milhões. Entre os beneficiários, o escritório de Kakay, em Brasília, com R$ 8,3 milhões. Esse trecho do relatório é descrito como "análise de pedidos não vinculados a contratos, realizados pela presidência [da Brasil Telecom] e outras diretorias".
A parte do relatório que trata dos serviços de Kakay traz um resumo das ligações políticas do advogado: "Conhecido como Kakay; advogado de DD [Daniel Dantas] no caso Kroll, juntamente com Nélio Machado e Oliveira Lima. Seriam também advogados de Carla Cicco no caso Kroll; Almeida Castro é muito amigo de José Dirceu (advogado desse) e diversas vezes ofereceu ajuda política a DD para aproximá-lo do governo por meio de Dirceu; DD recebe forte auxílio do PFL (ACM, Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes)".
A auditoria também localizou um e-mail trocado entre um escritório de advocacia do Rio e o ex-diretor da Brasil Telecom Participações Humberto Braz, que se entregou ontem à PF, no decorrer da Operação Satiagraha. Ele é acusado de ter participado da tentativa de suborno dos delegados que atuam no caso, Victor Hugo Ferreira e Protógenes Queiroz.
O e-mail revela que Braz tinha um papel importante na relação entre a Brasil Telecom e advogados. Ele participou de uma reunião "no escritório do Kakay", em Brasília, na qual foi "acertado" o pagamento de honorários "a título de êxito" no valor de US$ 1 milhão. Os advogados queriam suspender um mandado de segurança no STF ( Supremo Tribunal Federal ).
A auditoria na Brasil Telecom, concluída em dezembro de 2005, investigou pagamentos, contratações e serviços entre os anos de 2002 e 2005.
Outro lado
Advogado diz que prestou serviço a BrT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA REPORTAGEM LOCAL
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que os R$ 8,3 milhões que recebeu da Brasil Telecom se devem a dois serviços prestados, um diretamente à companhia e o outro na defesa de Carla Cicco, ex-presidente da companhia, e do banqueiro Daniel Dantas em processo criminal em São Paulo.
O advogado Roberto Teixeira informou, por meio de assessoria, que tem em mãos o contrato prestado para a Brasil Telecom. "Se os auditores não acham o contrato, o problema é deles. A nossa cópia está conosco", informou Teixeira, por escrito. Indagado, por intermédio da assessoria, sobre prazos, condições, objetivos e pagamentos do contrato, ele respondeu que "os advogados não têm o contrato à mão e consideram má-fé dos auditores dizerem que não há contrato".
O primeiro caso citado por Kakay se refere ao acompanhamento de dois procedimentos de investigação no Ministério Público Federal sobre a privatização da CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), comprada em 2000 pela BrT.
Por conta desse primeiro contrato, Kakay recebeu R$ 5,3 milhões. Segundo ele, sua função era orientar os advogados da BrT sobre como proceder nos trabalhos de investigação do Ministério Público."Dizem que eu não fiz nada nesse caso. Atuei diretamente com os advogados da BrT, orientando-os passo a passo durante todo o tempo", disse Kakay, acrescentando que seus honorários se justificam pelos valores envolvidos.
Os outros R$ 3 milhões, afirma o advogado, dizem respeito à defesa de Dantas e de Cicco, como pessoas físicas, no inquérito da Operação Chacal, que apurou a participação dos dois na contratação da agência Kroll para investigar autoridades do governo brasileiro.
A assessoria do banco Opportunity em SP informou que as notícias sobre os pagamentos sem contratos a Teixeira e Kakay "já foram divulgadas" em anos anteriores. Disse que o jornal poderia buscar "em seus próprios arquivos" as respostas sobre as indagações feitas pela reportagem ontem à noite.
Outro lado
Petistas negam tráfico de influência
EM SÃO PAULO
O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) voltou ontem a negar que tenha feito tráfico de influência no Planalto em prol do banqueiro Daniel Dantas, mas se recusou a comentar a nota do chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho.
Também em nota, Greenhalgh disse que atuou como advogado e criticou a acusação da Polícia Federal de que ele transita "nos subterrâneos" dos tribunais com o objetivo de favorecer Dantas."Não é possível classificar como ato ilícito o fato de um advogado transitar nos tribunais, inferiores ou superiores, bem como nas delegacias... Isso faz parte da rotina diária de todo advogado."
O ex-deputado negou ainda ter tratado do caso em encontro que teve no aeroporto de Brasília com José Dirceu (PT), em maio. "Nunca tratamos sobres Dantas, nem nesse encontro nem em outros."
Dirceu também negou: "Audácia e certeza da impunidade não têm limites na PF".
"Evanise Santos é minha namorada e nessa condição foi procurada por Greenhalgh, e não como funcionária da Presidência", disse em seu blog.
íntegra
"Não fiz contato algum com a PF", afirma Carvalho
DA REDAÇÃO
Leia a íntegra da nota de Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente Lula.
"Esclarecimentos do chefe do gabinete pessoal do presidente da República, Gilberto Carvalho, sobre o contexto das conversas que teve com o advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, mencionadas no noticiário relacionado à Operação Satiagraha da Polícia Federal.
No dia 28 de maio, o dr. Luiz Eduardo Greenhalgh informou-me que um cliente seu, Humberto Braz, cuja identidade até então eu desconhecia, fora seguido no Rio de Janeiro, após deixar os filhos na escola, e que, interceptado pela polícia do Rio, o condutor do carro que pretensamente lhe fazia a perseguição se apresentou como tenente da Polícia Militar de Minas Gerais, exibindo documentos que diziam estar a serviço da Presidência da República. Dr. Greenhalgh me indagou se procedia esta informação, uma vez que poderia se tratar de tentativa de seqüestro comum, com uso de documentação falsa. Procurei o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Fui informado de que o referido tenente estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao dr. Greenhalgh, que, na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal. Como já havia dado a informação essencial ao advogado no que dizia respeito à segurança pessoal de seu cliente, não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça e nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas autoridades.
Presidente diz a ministros ver excessos em operação policial
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião ontem com seus principais ministros, o presidente Lula avaliou a Operação Satiagraha como "consistente do ponto de vista investigatório" e "positiva" para a imagem do governo, segundo relatos obtidos pela Folha.
Lula fez dois reparos à operação. Disse que o vazamento da prisão do ex-prefeito Celso Pitta para a TV Globo é um excesso e pediu que o ministro Tarso Genro (Justiça) tome providências disciplinares. Também julgou excessivo o uso de algemas. Disse, porém, que deve haver um critério único.
O presidente defendeu o chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, que apareceu em um grampo conversando com Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). Disse em conversa reservada que ele, Carvalho e o ministros devem redobrar cuidados com pleitos de amigos e de partidários sem cargo público em audiências e telefonemas. (KENNEDY ALENCAR E VALDO CRUZ)
Defesa critica Tarso e diz que Abin é "SNI"
Advogado de Dantas afirma ter constatado grampos ilegais de conversas entre advogados, segundo ele uma "barbaridade"
Para Nélio Machado, que vê interesse político de Tarso, é reprovável ministro ter dito que será "muito difícil" para Dantas provar sua inocência
ROBERTO MACHADO
DA SUCURSAL DO RIO
O advogado Nélio Machado, que defende Daniel Dantas, acusou a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) de estar agindo de forma ilegal e paralela à investigação da Polícia Federal e criticou o comportamento do ministro da Justiça, Tarso Genro, no episódio da prisão do dono do Opportunity.
Preso duas vezes na semana passada e beneficiado por habeas corpus concedido pelo STF ( Supremo Tribunal Federal ), Dantas é acusado de chefiar uma quadrilha responsável por diversos crimes financeiros e fiscais a partir das empresas do grupo Opportunity.
O advogado afirmou que existem indícios de que agentes da Abin interceptaram ilegalmente conversas telefônicas. "Eu constatei interceptação da conversa de advogados, o que é uma barbaridade. Tem inclusive interceptação de conversa do meu cliente com um advogado dele nos Estados Unidos."
Segundo Machado, há indícios de que a Abin tenha monitorado a comunicação entre os advogados de Dantas, no Rio e em Brasília. "Incluindo troca de e-mails entre o meu escritório e o do Pedro Gordilho e Alberto Pavie. Também com o de Luiz Carlos Madeira, em Brasília. São todos advogados da maior seriedade. É uma audácia interferir mediante grampo, que eu acredito que seja ilegal."
Disse ter indícios de que a ida de Pavie ao STF, na última terça, horas após a prisão de Dantas, foi monitorada pela Abin: "Essa investigação é muito estranha porque revela, de maneira chapada e indisfarçável, a presença de uma entidade que não tem nenhuma atribuição de atuar em investigação de natureza penal, que eu chamo de SNI [Serviço Nacional de Informações, antigo nome da Abin]."
O advogado de Dantas afirmou que Tarso teria interesses políticos no episódio. "Vê-se que o presidente da República lançou, ou pelo menos prestigiou, a ministra Dilma [ Rousseff ]. Subitamente vê-se o ministro Tarso ocupar espaço. Ele integra o Executivo e está agindo meio à solta. O próprio presidente deu declarações posteriores muito mais comedidas."
Machado disse que a avaliação de Tarso, em entrevista à Folha publicada no domingo, de que seria "muito difícil" para Dantas provar inocência é "reprovável" ( OBS: "reprovável" é a Folha colocar a frase como manchete; isso o Genro não tem controle sobre; mas foi prematura essa entrevista, sim ) . "Ele está agindo como o algoz. Faz juízo de valor."
Sobre o depoimento de Hugo Chicaroni, que disse ter recebido dinheiro para tentar subornar um delegado da PF em benefício de Dantas, Machado afirmou tratar-se de ação "isolada". "Não há envolvimento do meu cliente com aquela ação."
Ao criticar a atuação do juiz da 6ª Vara Criminal de São Paulo Fausto De Sanctis, que ordenou as prisões de Dantas, Machado antecipou uma das linhas que utilizará na defesa. "Um juiz tem que se preocupar com o julgamento técnico. Esse caso está viciado desde o início porque violaram o HD [disco rígido] do banco [Opportunity] contra uma ordem judicial do STF. Juiz de primeira instância não pode ir contra o Supremo."
Agência admite atuação, mas nega "clandestinidade"
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) confirmou que agentes secretos, a pedido do delegado Protógenes Queiroz, participaram da Operação Satiagraha ( OBS: Não é necessário algum tipo de documento de requisição entre as agências? Lembrei dum caso envolvendo arapongas no Ministério da Saúde, à época de Serra; se não me engano, eram necessários certos procedimentos para tal fim ) O órgão negou ter atuado "clandestinamente", mas sua atuação foi considerada irregular pelo governo.
Ontem, durante reunião de coordenação, o ministro Tarso Genro (Justiça) confirmou a participação de agentes da Abin na operação e afirmou que esse foi um dos erros cometidos por Queiroz. Tarso disse ao presidente Lula que o delegado não adotou o procedimento normal -fazer o pedido à Abin pela diretoria de operações da PF ( OBS: Ah! Tá aqui! ).
Em nota, a Abin afirmou ontem que o diretor-geral do órgão, Paulo Lacerda, "não tem e não teve nenhuma participação ou iniciativa, muito menos ingerência, nos fatos que resultaram" na ação, mas que é comum a "cooperação com os demais órgãos públicos". "[A Abin] não realiza quaisquer atividades para as quais não possua respaldo na legislação."
A Folha revelou, no dia 10, que agentes da Abin atuaram no caso à revelia da direção da PF. Em maio, agentes seguiram o carro de Humberto Braz, assessor de Dantas, pelas ruas do Rio. (LUCAS FERRAZ e VALDO CRUZ)
Procuradores avaliam pedido de impeachment para Mendes
DA REPORTAGEM LOCAL
Não está consolidado, mas procuradores da República estudam a possibilidade de pedir o impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que determinou a soltura do banqueiro Daniel Dantas mesmo sem analisar as provas e a decisão do juiz de 1ª instância.
A idéia, que seria encabeçada pela procuradora Ana Lúcia Amaral, vem sendo discutida na intranet do Ministério Público. Procuradores entendem que Mendes cometeu crime de responsabilidade ao ignorar os tribunais de 2ª e 3ª instâncias.
Alguns acreditam que a iniciativa teria o apoio da classe (179 procuradores assinaram carta de apoio ao juiz Fausto Martin De Sanctis) e dos magistrados (cerca de 400 juízes do Tribunal Regional Federal assinaram manifesto de repúdio à decisão de Mendes).
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), disse ontem que a Casa tem competência para avaliar um impeachment. "Mas acho difícil prosperar. O que está sendo discutido é uma decisão judicial, não é crime de responsabilidade, a não ser que o documento traga alguma consistência em relação ao crime."








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